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MALOKA VISIONÁRIA

A Obra que Não Existiu

  • 14 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Deslocamento: Um Estudo de Caso sobre a Precarização no Sistema de Festivais Brasileiros — Festival da Lua Cheia de Altinópolis, Edição 2025

Quatro anos negociando o óbvio: pão para quem pinta, gasolina para quem vem de longe um canto para dormir entre uma lua e outra. Todo ano a mesma dança: “Este ano a cozinha comunitária não vai dar…”

O Convite

Antes da pandemia, a coordenação do Festival da Lua Cheia, em cada uma das últimas edições da Bienal Internacional de Cultura Psicodélica e Arte Visionária, convidou o curador Rodrigo H. B. Nini para um marco histórico: criar a expografia para este festival histórico e milionário.

Trocas

Focado em construir o futuro ao lado do festival, a curadoria estendeu-se por quatro anos, nos quais trocas singelas — como alimentação e logística — eram exigidas pelo curador para que, ao longo do tempo, pudéssemos aprender e melhorar a infraestrutura e as ações culturais.

Era estranho que, todos os anos, Rodrigo tivesse que retomar negociações básicas. Afinal, mesmo sem cozinha comunitária, o festival tentava retirar a alimentação dos artistas plásticos. Isso fazia com que a curadoria retornasse aos pilares mais elementares, em vez de focar em tornar tudo mais sustentável para o festival e para os artistas.

“Festival que paga com ‘visibilidade’ é igual enchente: molha tudo e some.”— poeta do Grajaú

Processos Criativos

Por quatro anos, divulgamos e ensinamos o festival, passamos visões de melhorias. Inclusive, reuniões foram gravadas com IA sem nossa autorização — o que deixa claro que tinham interesse em nossa criatividade. Um patrimônio imaterial vasto, internacional, que se conectou ao Festival da Lua Cheia buscando levar neurociência e artes plásticas de forma inédita para Altinópolis.

Todo esse material criativo foi descartado após a apropriação indevida de seu valor conceitual, devido a mentiras e falta de ética por parte do festival, que via em sua tradição um caminho para explorar nosso trabalho sem remuneração adequada, negando até mesmo alimentação aos artistas.

“Roubaram até o nome que eu botei no trem”, diz o pichador da Linha Vermelha.“Mas minha assinatura tá na parede da alma deles agora.”

A Obra Cancelada

Duas programações aprovadas, neurocientistas convidados, artistas visionários prontos —tudo cancelado duas vezes, num vai-e-vem de má-fé.

O que vale a tradição se é construída sobre a precarização? Não sei em que momento a ‘troca por visibilidade’ nos festivais tornou-se exploração. Em 2025, tanto o proprietário quanto a coordenação do Festival da Lua Cheia de Altinópolis mentiram e atuaram com omissão quanto a nossa alimentação, logística e divulgação.

Trabalhos óbvios, realizados por nossa curadoria durante quatro anos, foram simplesmente roubados — o festival afirmou que eram eles que haviam feito e impresso. Reconhecimento era o mínimo, e nem isso entregaram.

Viveu-se um processo caótico: após duas programações apresentadas, aprovadas e combinadas com professores, neurocientistas e artistas, o festival criticou: “essa programação não tem nada a ver”. Mas por que, quando a apresentei, antes de conversar com todos, não foi feita uma crítica ética de melhoria? Apenas aprovaram, cancelaram, aprovaram de novo e cancelaram novamente.

Além de antiético, isso é uma mancha na trajetória do curador Rodrigo, fundador do IKTEC – Instituto Kuikuro de Tecnologia, da Bienal Internacional de Cultura Psicodélica e da Academia Brasileira de Arte Visionária, que simplesmente teve seu trabalho retirado por exigir alimentação, logística e divulgação para os artistas plásticos — usando mentiras e omissões para esse deslocamento.

“Na favela, a gente troca arte por respeito. Quem não tem respeito, nem arte merece.”— artista da Cidade de Deus

A Virada

  • Uma tradição de 30 anos deve ser sustentada pela precarização de seus artistas?

  • Quando a ‘troca por visibilidade’ tornou-se nossa única moeda?

  • Até quando festivais consolidados explorarão o desejo legítimo do artista de fazer história sem reconhecer o patrimônio imaterial envolvido?

  • É assim, com descaso a criatividade, sem respeitar anos de trabalho e dedicação, que devemos seguir?


  • O 'sequestro' de processos criativos é natural em nosso meio?

São perguntas que ecoam pela comunidade, pelas mentes que acreditam que esta situação não pode ser em vão. O anti-profissionalismo, o processo desregrado, a falta de ética e transparência de um festival tradicional criaram esta obra que nunca existiu.

O que vale uma tradição que se alimenta de sonhos alheios?

Que troca visibilidade por suor, ingresso por alma, café da manhã por madrugada de criação? Eles ficaram com os projetos, com as ideias, com os contatos, com o mapa que desenhei por quatro luas. Só não ficaram com a honra.

“Todo festival que se preza tem dois orçamentos: um para o brilho do palco, outro para o silêncio dos artistas.”— voz das ruas, 2025

Esta é a obra que não existiu. E que, por não existir, expõe tudo. Alimentação é o básico, além de pintar teremos que cozinhar? No mínimo é falta de empatia e não sabe o trabalho que dá.

 
 
 

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